"Da nossa vida, em meio da jornada,
Achei-me numa selva tenebrosa,
Tendo perdido a verdadeira estrada.
Dizer qual era é coisa tão penosa,
Desta brava espessura a asperidade,
Que a memória a relembra inda cuidosa.
Na morte há pouco mais de acerbidade;
Mas para o bem narrar lá deparado
De outras coisas que vi, direi verdade..."

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Inimigo Eu, Devorador de Pecados
Nixilis já aceitava o fato da corrente estar morta, tentaram buscar a chave sem ele, um bando de idiotas. Agora mais do que nunca, aquela cidade que Nixilis estava parecia um mar de sofrimento e maldade. Toda aquela traição, jogos políticos, extorsão, uso excessivo de poder, tudo que era possível ser péssimo na cidade, era emanado de seus lideres. Um jogo de poder com a população no meio, fracos que aceitavam serem usados como peões nesse jogo. Nixilis poderia ser mais uma peça em meio a todas outras comandadas pelos lideres, mas ele era algo a mais, ele era outro jogador, a sociedade era frágil, cada líder querendo o lugar do outro, apenas esperando um momento oportuno. Se uma peça se movesse de forma inesperada, tudo aquilo poderia ruir. Talvez a agua da fonte pudesse ser envenenada pelos lacaios de Lope, matando alguns mercenários do piratão. Quem sabe ele não rechaçasse com uma pequena guerra civil nas ruas. Enquanto isso Purpleglove poderia acabar matando um ou dois concorrentes nas eleições. Se os dois morressem talvez ficasse muito evidente o ocorrido. Um pequeno incêndio nas favelas podem fazer os ratos de Lope saírem da toca com sede de vingança. Aquela sociedade parecia tão frágil, era o dever de Nixilis acabar com aquela erva daninha, ela era toxica e apenas destruindo-a completamente o mundo poderia voltar a viver em harmonia. Uma memoria volta a Nixilis, ele se lembra dos diários de sua mãe, sua verdadeira mãe, ele riu de sua semelhança com o demônio que destruiu o reino de sua família, talvez eles merecessem isso, talvez fosse uma erva daninha, talvez em todas glorias do reino escritos no diário, sua mãe estivesse cega como todos aqui estão. Ele só via uma opção para este lugar, Seja pelas mãos de Nixilis, O maldito ou por Daghatar, O príncipe esquecido, como dizia Movran, essa cidade irá abraçar o fogo.
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A maldição da curandeira
Helen não se sentia surpresa, tudo o que ocorreu já era esperado pela curandeira, não desejado entretanto.
Mais um grupo morto para Helen se lembrar de seus nomes, porem desta vez com marcas, de Lope, de Mimus, de Thaunviel e de Rei Amar... A barda não tendo a menor ideia de como se livrar sozinha destas marcas todas, chorando ela murmura de como gostaria de que aquele homem tivesse cumprido a sua promessa, um homem que realizava contratos milagrosos, com contatos entre as sombras, ela ali acreditava que ele poderia solucionar todos os problemas que ela teria no momento, mas suas mágoas se tornavam raiva logo após, com vontade de bater em todos os envolvidos, Mário por sumir, Aemus por não cuidar do grupo em sua ausência, Thetas por ser irritante e não fazer as coisas direito, Movran por suas chamas não serem o suficiente para lhe dar esperança, Nixilis por jogar o nome de Thaunviel a Mimus, Manco por ser um bêbado depravado, Thaunviel por não ter feito nada sobre o contrato do Piratão, aquele homem por não cumprir sua promessa, Daerlum por ser um buraco dos infernos cheio de sujeira e escória, Piratão Lope e Mimus por existirem... e olhando em seu próprio reflexo em um espelho, socou com toda a força que tinha, querendo socar quem ela mais culpava, a si mesma, aquela que nunca conseguia salvar ninguém, que era amaldiçoada a ver aqueles que ela se importa morrerem ou sumirem...
Olhando para seu punho ensanguentado com cacos do espelho fincados, Helen volta a chorar, sem esperanças, não sabendo o que fazer, seu desespero era muito...
Levantando seu rosto, retirando os cacos e lavando seu punho, Helen tentou decidir o que fazer, por um lado poderia tentar cumprir a vontade do Litch com Nixilis para ganhar mais tempo, por outro, se sentia culpada pelas ações do Tiefling e queria ajudar a proteger Thaunviel, mas no fundo de seu coração queria pegar a chave de Mimus, se livrar da maldição do Litch e tentar ir atras daquele homem... sem saber o que fazer, se sentou não muito distante de Thaunviel, juntou as suas mãos em seu queixo e pedia por repostas para Oghma, ou até mesmo o próprio Litch que a amaldiçoou...
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Martelo.
(Ouça-me)
Aemus abriu os olhos , levantando do chão imediatamente - os reflexos de luta foram os primeiros a voltar. Uma abóbada: Anmar. Não os deixariam ir embora tão fácil. O lich ria, uma mistura patética de fúria e divertimento. Apenas mais um obstáculo a ser derrotado.

Fechou os olhos e, como chamas que o devoravam, lembrou-se com ardor - o cérbero. Acertou um golpe, como sempre, mas ele acertou outro mais forte. Um descuido, o grupo não estava pronto. Os outros! Todos estavam lá no barco.

Manco ficou. "Bravo guerreiro, honrarei teu nome em minhas batalhas" disse. "Você era digno, mas a Roda o engoliu antes de ter seu destino cumprido."

Thetas, pobre jovem, havia sido trazido de volta. O que pensaria de sua vida de ganância? Quando se enxerga o além, a mente de um se transforma...

Movran... Conhecia o feiticeiro: Ele abraçou o fogo. Disse que era filho da fênix, e renascera como tal... Parecia digno, mais do que nunca. Não como líder da Corrente - o que quer que fosse a Corrente havia sido quebrado, elos que nunca foram fortes. Não eram cobre, não eram elo - não todos. E uma corrente sem todos os elos... se parte. Movran parecia algo mais... uma força que poderia ser o estopim das chamas da guerra para além de contratos, reis lich, comerciantes, política. E Aemus garantiria isso - havia escolhido seu campeão.

Foi então que notou que não tinha pensado em seu próprio destino. As portas do Descanso haviam sido negadas... por Anmar. Estava para dar o passo final a um destino supremo, não havia o que decidir. Era o que seu deus comandava, e se este chamava, então pisaria em suas terras de uma vez por todas. Mas não, o rei dos mortos não estava satisfeito, e puxou de volta seus vassalos para o mundo dos vivos.
Fechou os olhos outra vez, e um flash o acometeu. Seu Deus... Tempus. Tempus, o Senhor das Batalhas, O Martelo Oponente, seu verdadeiro lorde, estava lá! Olhou em seus olhos, sabia que era ele, e ele o acolheria. Mas foi tirado de seu chamado... não, isso estava errado. Morreu na luta, estava cumprindo seu propósito uno, e lá lutaria para todo sempre. Mas se estava aqui... o restava apenas um destino.

(Ouça-me dois)

Pôs-se de pé. Não tinha roupas, nem equipamento. Vestiu-se com os panos de Silesia, serviriam por hora. Conseguiria armas, armaria seus punhos, colheria a força emprestada de seu Deus.
Usaria o que tinha, e pelo simples fato de ter fé, sentia-se mais pleno que qualquer ferramenta material o faria sentir.

Sabia o que o aguardava com o cérbero agora: garantiria de impedir que o mesmo acontecesse. Movran parecia o candidato certo, mas agora ele precisaria de ajuda. Não era mais hora de observar: agiria.
Planejaria e estaria pronto, a fera não seria vitoriosa outra vez. Se cantou sua derrota no barco do além, cantaria sua vitória com o sangue de sua carcaça.

Havia um motivo para estar aqui ainda. Tempus o deixara ir, e era claro: sua missão não estava cumprida. Lutaria, moveria a Roda da Guerra, até seu último instante de existência. De certa forma, Aemus já havia morrido duas vezes - e voltado à vida. Não descansaria até que seu deus o permitisse descansar, e faria isso com toda sua força.
Sabia quando parar o que havia começado, e estava apenas no início de seu cruzada.

Abençoado pela visão da figura imponente de Tempus, Aemus saiu da torre de Anmar com uma fé mais inabalável do que fora em toda sua vida de clérigo: seu caminho era claro, e cumpriria seu propósito.
Mais do que nunca, era apenas um com seu Deus. Ter visto seu senhor não o tornava maior, era um servo como outro - mas sua crença: nada podia destruí-la agora.
Seria aquele que moveria a Roda da Guerra. Seria um clérigo, seria um guerreiro. Não, mais do que tudo...

Seria o Martelo.
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Mãos de morte
A fogueira crepitava calmamente na noite escura. Thetas, Movram e Aemus estavam sentados ao redor dela, em silêncio, cada um dentro de seus próprios pensamentos.
Aemus experimentou a euforia da batalha desenfreada. Quando avançou sobre o guarda na festa foi tomado do ímpeto que dormia em seu coração, domado pela falsa impressão de segurança enquanto ansiava poder caminhar em campos banhados de sangue e bradar o nome de Tempus aos céus e aos infernos. Ainda lamentava a perda do seu escudo, mas seu sangue fervilhava
Thetas pensava em seu pai e lamentava não tê-lo encontrado. Perdeu uma vida sem sucesso e sua morte pesava em sua consciência e o impedia de perceber que esse retorno, mesmo que garras frias do Rei Anmar, era a nova chance que precisava para encontrar seu pai.
Movram encarava a fogueira, em transe. Imaginava que tinha vontade de colocar no meio daquela fogueira e completava suas projeções com essas pessoas gritando e agonizando no fogo.
Estavam equipados com roupas de Silesia. Apenas isso. E foi Thetas que quebrou o silêncio.
- Do que adianta? O que podemos fazer? Não temos mais dinheiro, não temos mais nada!!!
- Sim. Meu escudo, minha conexão com Tempus....
- ...o cubo... – Movran deixou escapar.
Vieram mais alguns minutos de silêncio enquanto os viajantes remoíam por mais alguns minutos suas frustrações. Um vento frio balançou as pequenas chamas da fogueira e um barulho despertou todos do transe. A iminência do perigo afastou a condescendência e eles ficaram em alerta e reencontraram a vontade de se manterem vivos.
Sem falar mas nada, os três se puseram em movimento. Movram apagou a fogueira e Aemus pegou na parte fria de um dos pedaços de madeira usado como lenha. Thetas aproveitou a escuridão e desapareceu.
Eram 4 goblins. Perceberam a vantagem numérica e avançaram destemidos. Eles usavam velhas espadas curtas que pareciam prestes a se desmanchar e pedaços de couro como proteção. Fediam a ranço e carniça e não era nada amigáveis.
Aemus tomou a frente sem se importar com o número maior dos oponentes. Quando um dos goblins se aproximou ele fez uma finta se colocando de lado e ficando de frente ao flanco aberto do goblin. Acertou o pedaço de pau na têmpora do monstro que grunhiu de dor e raiva e logo se virou rodando sua espada aflito. Um segundo goblin aproveitou que o sacerdote estava ocupado e estocou sua que atingiu de raspão o ombro de Aemus. O ferimento o deixou ainda mais eufórico e ele tomou uma nova posição de frente para os dois goblins.
Logo atrás, os outros dois goblins acertaram cortes em Movram que manobrou para deixa-los em linha em sua frente. Quando achou que tinha conseguido, levantou suas mãos gritando as palavras do feitiço que fez suas mãos pegarem fogo e logo depois as chamas se projetaram para frente num cone. O primeiro goblin não teve tempo de se proteger e sentiu o fogo arder sua pela acinzentada. O segundo rolou para o lado apagando as pequenas chamas que tentavam se espalhar por suas vestes.
Aemus preparou bem sem próximo movimento. Com os dois goblins na sua frente, se virou para um fazendo um intricado gesto com suas mãos, e uma grande martelo luminoso se formou no ar na direção do goblin que não esperava o ataque mágico e recebeu o golpe com o peito aberto. O golpe lhe arrancou o ar e ele se ajoelhou tossindo. O ataque de Aemus deu ao outro Goblin tempo e espaço para outra estocada, mas dessa vez seu braço travou a meio caminho do ataque enquanto ele cospiu sangue. Não teve chance de gritar ou ver o que atingiu, apenas caiu morto com um corte profundo em seu rim esquerdo. Aemus viu Thetas de relance desaparecendo de novo na escuridão.
No outro núcleo Movran voltou a esquentar suas mãos se aproximando do Goblin que tentava se proteger e não percebeu a flecha vindo da escuridão e o atingindo no braço. As chamas não foram tão precisas e o goblin rolou de novo para o lado evitando piores queimaduras. Logo depois levantou e avançou sobre o feiticeiro. Com o braço ferido não conseguiu esquivar da espada e outro corte foi feito em seu abdomem.
Aemus pegou a espada que se oponente deixou cair no chão e no mesmo movimento ofereceu um corte lateral no goblin ajoelhado. Um corte fundo o suficiente para tirar-lhe a vida. Outra flecha zuniu acertando o chão próximo a seu pé. Ele se virou e viu o quarto goblin avançando sobre Movram.
O feiticeiro buscava uma direção para rolar no chão em esquiva ao golpe. Aemus se aproximou calmamente aguardando o desenrolar daquela luta e longe dali um grito de goblin indicava que não haveriam mais flechas. O goblin viu seus companheiros caírem e como estava em posição favorável, correu em direção à escuridão. Aemus apenas observou, mas Movram apontou o dedo de onde um raio de fogo saiu na direção da criatura, atingindo-o na mesma hora em que uma flecha vinda da escuridão. Ele caiu gofando sangue enquanto seu corpo queimava.
Os corpos foram arrastados e queimados. A fogueira foi acesa e os viajantes a contemplaram de novo, agora mais confiantes. Não falaram mais naquela noite, mas possivelmente compartilhavam um pensamento que afastou um pouco o pessimismo. Ainda não tinham o escudo, o cubo, armas...com certeza importantes. Mas naquela noite, os goblins encontraram a morte em suas mãos.
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Guerra e Paz
Manco corria desesperadamente até a chave. Não corria apenas pela sua vida, mas pela dos jovens companheiros recém encontrados. Amaldiçoou a perna coxa e as feridas impostas pelos Mantos Brancos que impediam sua antiga agilidade. Estava quase chegando à próxima sala, talvez se ele conseguisse a chave então tudo se resolveria…

Os pelos da nuca se arrepiaram, e o cheiro de enxofre familiar atingiu suas narinas. Ele sentiu o calor o envolvendo, mas continuou correndo avidamente. Se aguentasse um pouco mais talvez houvesse uma esperança. Apenas mais um pouco, enquanto as chamas corroiam sua carne. O homem que sobrevivera ao Underdark, a Górgonas, a inúmeras batalhas sem esperança de vitória. Logo agora que havia encontrado alguém digno de chamar de sucessor. As imagens do treino com Aemus tomaram sua mente de arrombo, a cada golpe ele avançava um passo no redemoinho infernal de chamas que o envolvia.

Mas já enganara a morte vezes demais para uma vida. Mesmo a última só fora possível por conta desses companheiros que o encontraram. “Já vai desistir, velho?” A voz de Aemus ecoou no fundo de sua mente. Isso significaria que o jovem morrera? “Seu velho inútil”, pensou. Foi tomado por fúria. Antes mesmo das chamas se extinguirem, não havia mais Manco, apenas ódio caminhando lentamente entre as labaredas. E quando elas se foram, nada restava além de carvão e cinzas.

Ao acordar, estava em um barco com seus companheiros. O que dizer? Como falar com eles? Impossível. Não depois de tamanha vergonha. Estariam os corredores de jade negro dos Mursaat ainda abertos a ele? Dificilmente. E se estivessem, como encará-los após tanto fracasso? Ainda tinha uma missão: purificar os Mursaat, matar os hereges, encontrar um herdeiro para o Manto e protege… olhou para Aemus à sua frente no barco. O jovem rumava decidido para o seu deus. Manco não poderia caminhar tão confiante sabendo que falhou com tamanha maestria.

Eram tragados pelos portais, por uma força hipnótica e tão inexorável quanto a própria morte. Aemus, Thetas e Movran pareciam encontrar paz e refúgio na vista de seus portais. Mas Manco não encontrava a mesma sensação de acolhimento, apenas culpa e raiva. Ainda assim, o portal o tragava, como exercendo um feitiço. Então correntes se agrilhoaram aos tendões de seus companheiros e eles foram puxados para o mar de prata. Novamente Manco podia apenas olhar impotente para a captura de seus aliados. Por que justo ele que não encontraria a paz de forma alguma fora poupado? Era alguma maldição que transcendia até mesmo o limiar da morte?

Novamente foi tomado por fúria. O encanto do portal se enfraquecera. Em compensação, o quinto portal, dos Infernos, ao meio, o chamava de forma cada vez mais intensa. Os demais pórticos desmoronaram. Manco permanecera no Purgatório, divido entre enfrentar o julgamento de seus deuses e a fuga fácil para os Internos.
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Tags: R.I.P.
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