Despin "Canto dos Ventos" Hobbes

636271789409776659
"Do que adianta contar histórias quando você não está nelas?!"
User: Mateus
Campaign: Forgotten Heroes
Race: Halfling
Gender: Male
Role: Controller
Class/Level: Valor Bard/7
Description:
Altura: 0,78m
Idade: 22 anos
Massa: 12 kg
Aparência: Cabelos dourados encaracolados até o meio das costas, olhos castanho claros, pele clara/morena, cicatriz no rosto feita por um Babau. Nariz proeminente.
Background:
"Esta é a história de como um homem baixo foi levado às alturas pelos seus próprios pés, e como encontrou perigos, alegrias, e os sonhos que tanto almejou desde a lua de seu nascimento"
Um homenzinho olhava para o papel meio amassado com uma pena na mão com extrema atenção. A cada observação que passava pela sua mente, seu nariz se retorquia, entortava, empinava e descia como se com vida própria.
"Não, acho que ainda pode ficar melhor... Talvez assim.", disse o homenzinho, pigarreando e franzindo as sobrancelhas proeminentes. O pequeno pensador se chamava Despin Hobbs, um Hinn de cabelos até os ombros, encaracolados e castanhos, pele cor de ocre e olhos castanho claros. Mas o que mais se destacava em Despin, mais que seu tamanho baixo até para um Hinn, era seu nariz: Não era exatamente grande, mas tinha uma curva simplesmente estranha descendo até a ponta, e com um tamanho consideravelmente volumoso mesmo assim, parecia completar cada fala e pensamento do homenzinho. Há um tempo já estava longe de casa, e se um dia perguntassem para ele, ele responderia que estava muito melhor assim.
Despin Hobbs nasceu numa vila pacata de sua raça, típica em todos os sentidos, de dias tranquilos, noites confortáveis e praticamente sem perigo algum (o maior perigo que os jovens Hinns poderiam enfrentar eram javalis selvagens que geralmente eram rapidamente contidos por alguns laços e flechas, e que eram eventualmente usados para comida"). A vila era tranquila, talvez tranquila até demais para ele. Despin sempre sonhou com viver histórias das quais nasceriam os maiores contos, as maiores lendas, as mais belas canções! Magos contra dragões, orcs contra exércitos gigantescos de elfos, montanhas de tesouro de reinos perdidos e heróis justos que encontrariam o ouro para dividir entre o rei e o próprio reino para os pobres! Mas infelizmente, o pequeno Despin era o único de sua vila a pensar em feitos incríveis, jornadas épicas e histórias que seriam lembradas por séculos, e os outros Hinns que ouviam dos delírios do garoto o chamavam de louco, imprudente e irreal, dizendo para ele tirar a cabeça das nuvens. Sonhador desde pequeno (mais pequeno do que é hoje em dia), sempre foi rejeitado pelos seus companheiros da vila, que não gostavam de suas brincadeiras, alguns até tendo medo do garoto. Despin com o tempo criou um gênio difícil em suas palavras, se tornando fechado e amargo. Seus amigos: livros. Muitos livros que jaziam como tesouro perdido numa pequena casa cujo dono havia partido há tempos, mas que nenhum outro Hinn havia se importado de tomar. Aquela casa, para Despin, era sua própria fortaleza, e defendia aquele lugar com toda sua coragem, que mesmo dentro de um corpo pequeno, era forte como a de um paladino. Alguns livros contavam sobre a história do mundo, sobre grandes reinos que foram derrubados por bárbaros, muros de soldados que defendiam continentes inteiros de males inacreditáveis. Outros contavam as lendas mais belas, de dragões que derretiam pedra e tomavam castelos para si, ou de grandes cavaleiros que, com poderosas espadas feitas de magia, derrotavam exércitos inteiros com um único golpe! Para Despin, pouco importavam quais histórias eram reais, tudo em seu forte parecia muito mais real que o mundo que o cercava fora da casa. Passados os anos, o pequeno leitor aos poucos foi procurando treinar para imitar os grandes heróis de seus contos, praticando com os não-tão-perigosos javalis selvagens e nos troncos e frutas das árvores, mas não bastava isso: não seria apenas um grande herói, seria aquele que cantaria as histórias das lendas que encontraria e ele mesmo faria parte! Para isso, aperfeiçoou suas habilidades em diversas formas de música, mas especialmente o som imprevisível do bandolim, o qual talhou o próprio das ricas árvores de sua terra, nomeando-o "Varanel". Sua paixão traduzia-se em música, e a música traduzia-se em magia: sua vocação era cantar o maravilhoso mundo que encontraria em suas viagens. Fizera isto até os 35 anos, até terminar o último livro daquela casa cheia de tantas histórias, até que finalmente decidiu tomar uma escolha que mudaria sua vida inteira: Sairia da vila em que nasceu e partiria para criar sua própria lenda, escrita por ele mesmo.
Num fatídico dia, ele partiu, e pôs em muitos detalhes sua saída nas páginas de seu livro:
"Naquele dia, o sol nascia mais tarde, e a lua ainda dançava à luz dos primeiros raios da manhã. Despin Hobbs saiu pela porta da casa dos seus livros confiante, carregando apenas uma trouxa de roupas, seu grandioso bandolim Varanel, e uma bolsa com os livros favoritos da casa, como inspiração e companhia de viagem. Não olhou para trás, tão decidido que era seu coração, e a cada passo apertava com mais afinco seus poucos pertences. Um dia ele voltaria, mas suas histórias voltariam antes, e finalmente saberiam que ele não estava errado em sonhar mais que os outros. Nas manhãs em que a lua tarda, não brilha pois o sol ofusca seu esplendor, mas não naquele dia. Naquele dia, mesmo com os raios da aurora surgindo aos cantos da terra, a lua brilhava, como uma benção para o aventureiro e seus feitos que viriam. Esta era a história de como um homem baixo se levou às alturas pelos seus próprios pés, e como encontrou perigos, amigos, e os sonhos que tanto almejou desde a primeira lua de seu nascimento."
Despin olhava para o papel, segurando ele contra a luz e com firmeza. Descansou a folha no couro de javali selvagem, sorriu orgulhoso, e assinou abaixo: Os Contos de Despin Hobbes, por Despin Hobbes".