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Enzo
Posted by the GM
Nel mezzo del cammin...
Intermezzo I - Daerlum
https://youtu.be/N2Pb_jpSyiE
O ar quente e abafado da cidade lembrava a Aemus um pouco de sua infância e juventude pugilista. Mas isto não necessariamente lhe dava vontade de passear, ou nem mesmo de respirar profundamente. Parecia o abraço abafado de um passado já superado. Agora ele era um Hammer de Tempus, e não tinha interesse em nada que não fosse o serviço de seu deus. Sabia também que esta era uma tarefa árdua. Suspirou. O olhar das pessoas enquanto passava, fedorento, dirigindo-se à fonte da praça principal! E olha que ele estava com uma túnica com um grande e portentoso símbolo de Tempus. Mas as pessoas não respeitavam-no por isso. Sua fé havia esmorecido há um tempo, e talvez fosse o papel da Nova República de Sembia tomar o lugar que outrora tomou Tempus, para proporcionar um ar belicoso às pessoas comuns. Aemus fechou os punhos. “Usar o que tenho”.
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“Alto lá, velho!” Gritou o guarda responsável por checar os passaportes dos viajantes. Mario ergueu as grossas sobrancelhas, em um gesto quase desafiador. “Você ouviu o que eu disse para as bichas dos seus amigos. Se quer passar, vá pegar seu registro no Fórum do Cartório. Mas antes, deixe a figura equestre nos estábulos. Não queremos uma cidade cheia de merda de cavalo por aí, queremos?” Disse, com um canto de boca, o zombeteiro guarda. O General Aposentado soltou um resmungo, e o guarda lhe apontou um imenso estábulo perto da guarida principal. “Ei, ei, onde pensa que vai?” indagou uma guarda responsável pelos estábulos. “Acha que pode largar sua montaria em qualquer lugar? De graça não, colega. Você precisará de uma licença Stabularia, facilmente adquirível no Cartório. Já vou avisando, com ela você poderá usar os estábulos de todas as cidades da República, por cinco anos. E serão 100 leõezinhos.”. Mario soltou novo resmungo. Ótimo, agora além de ter que pagar, os outros Elos haviam sumido para dentro da cidade. Olhou para sua bolsa. Certamente precisaria que algum deles voltasse e lhe desse o dinheiro, senão... Deveria deixar o novo Altivo vagando por aí. Afastou-se um pouco e montou no cavalo, praguejando alto. Estava tão atônito e zangado que não percebeu quando o oficial responsável pela guarida principal fora arrancado de seu posto à força, nem quando um homem de túnica anunciou: “Pelo crime de receptação de moeda não categorizada e permitida no erário da República de Sembia, o Oficial Rublus Sei fica por meio deste ato condenado à pena de trinta chibatadas, e licença compulsória por duas dezenas”. O pobre jovem não sabia o que fazer, e antes que pudesse escarrar seu tabaco, foi logo levado à praça executória. “Malditos Estábulos”.
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Movran esmurrou a mesa onde estava sentado, e perna de pau levantou os olhos. Thetas murmurou algo baixinho, e saiu pela frente. Suas sobrancelhas se contraíam em uma expressão de fúria contida, contida por mais quanto tempo? O fogo já havia se alimentado em sua fornalha interna há muito, e agora o próprio Movran parecia querer debulhar-se em chamas como um vulcão. Por sua mente, em lampejos, as figuras de Anmar, Gragnar, Piratão, e outras mais, algumas desconhecidas, todas queimando. “Abracem o fogo, imbecis”, e Movran queimava-os mentalmente. Uma leve chama ergueu-se de sua mão, assustando Rosette. Malditos. Anmar era o puro mal, o mal que o fogo de Movran deveria consumir, e transformar em pó. Sua crueldade com o unicórnio deixara-o tão estarrecido que sequer fora capaz de pensar em negociar, e sabia que sua vida estivera por um fio nas mãos do lich, tendo Aemus que interferir como outrora o próprio Movran o fizera para salvar o General. Ficara tão consternado que as negociações com Piratão saíram do planejado. O sorriso amarelo e podre do pirata aparecia como uma candeia em sua mente incendiária. Se pudesse esganar o mafioso com suas próprias mãos o faria. Aquele sorriso desonesto e zombeteiro, que capturava a oportunidade pelos cabelos.. E ainda havia o anão traidor. De uma certa maneira, Movran pegara-se pensando que Gragnar poderia merecer qualquer vingança que Anmar pudesse realizar, se não ajudasse a recuperar as Abadjagas..Mas mesmo assim, tinha tentado avisar o ex companheiro. Mas a vontade de queimá-lo não arrefecia. “Acalme-se, Movran. Lathander Amaunator ainda arderá pela Justiça. Tudo ficará certo, espero.”
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“Veja, Aleijadinho, a sua incompetência já nos custou muito. Você desonrou o nosso nome. Perdeu mais da metade do contingente. Mandou o Burka para a morte. Para pagar uma dívida sua. Estamos cansados de você e de suas fanfarronices. Por quê estamos num beco, você pergunta? Ora, você não achava que ia se safar e ainda ficar com os itens só para você, né? Tenho uma novidade, eu serei o líder dos Mantos Brancos agora. Não é, rapazes?”
“É um motim! Se me matarem, certamente virão outros amigos meus , e vocês se arrependerão de terem nascido.”
Um sorriso terrível e cruel.
“Ah não, manquitola. Nós não mataremos você. Mas faremos pior do que você fez com aquela vadia elfa, Liefgail. No fim, a destruição será maior que a que você fez embaixo de sua saia enquanto ela estava desacordada. Hahaha.”
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O colégio dos Bardos erguia-se, imponente, perante Helen. Tantas lembranças, tantas risadas e canções. Esboçou um sorriso. Sua aventura tinha culminado na corrente, mas começara com uma trouxa de roupas e um adeus anuviado de sua mãe. O Colégio fora sua segunda casa, e a flauta, sua primeira ocupação. Mas havia inspirações maiores a serem alçadas. Seus poderes curativos cresciam à medida em que ela acompanhava a corrente, e Helen sentia-se uma mulher mais madura desde que ingressara sob as severas ordens de Mestre Calug, talvez o maior bardo de toda Sembia. Ele lhe ensinara disciplina, ritmo, harmonia, e paixão por sua arte.
Helen abraçou seu manto. Lembrou-se de percalços após sair do colégio, e uma pequena lágrima escorreu por seu nariz. “Há lembranças que ficam mais belas intocadas”.
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Nixilis observava a vida cosmopolita, agitada, febril e pobre de Daerlum. As pessoas lutando sua luta diária, raivosas e mal humoradas, e para quê? Um pedaço de pão ou uma libra de peixe no fim do dia?! Talvez algumas moedas inúteis? A vida na floresta era bem melhor. Como poderiam limitar-se esse tanto? Ainda assim... Nixilis sentia um senso de pertença à corrente, e ao modo dela lidar com os contratos. Certeira e objetiva, como uma flecha bem lançada contra a presa. E era uma corrente que precisava da ajuda de Nixilis, um exímio rastreador. Não sabia, porém, se poderia ser útil em Daerlum. “Quem sabe..”
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